quinta, 07 de julho de 2022
Desordem & Caos
Autoria
Camila Similhana
Curadoria
Raul Lanari
Exposição virtual executada com base em tese defendida junto ao Programa de Pós-Graduação em História da UFMG em dezembro de 2018.

A cadeia de Vila Rica ficou pronta em 1725, mas a estrutura do prédio recebeu críticas desde a finalização da construção: as paredes eram de pau a pique, sendo então muito frágeis para manter os prisioneiros.  Por conta disso, foram muitos os casos de fugas. Também eram relatados problemas frequentes com o telhado e com as janelas. 

Pouco anos depois de finalizada a obra, o monarca português interveio para que a edificação fosse feita de pedra e cal, um material então mais resistente e mais nobre. O edifício como um todo, assim como o todo o largo que a envolvia, foi finalizado em 1797.

Dentro da cadeia, que não configurava um instrumento específico de punição, a maior parte dos internos permaneceram um ano ou menos. Dos 506 nomes presentes nas listas de registros, apenas 32 devem ter passado mais de 1 ano na prisão. Os encarcerados eram divididos em negros, brancos e mulheres; presos do governador, do rei, do juiz ordinário ou do ouvidor-geral; presos para investigação, sem acusação formal/por desejo pessoal das autoridades. Os negros e mestiços compunham a maior parte dos presos, podendo ser escravizados ou livres.

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Cadeia de Vila Rica

A enxovia destinada a eles, no projeto inicial, era, inclusive, mais simples do que a dos brancos, sem forro de tabuado no chão. Carcereiros e médicos chamavam a atenção para as péssimas condições desses presos, amontoados, muitas vezes doentes, sem ter como se sustentarem ou se vestirem para além dos recursos provenientes de poucas esmolas que recebiam, sobretudo da Santa Casa de Misericórdia.

A existência de uma enxovia para mulheres, apesar de possuir dimensões menores do que as de homens brancos, negros e mestiços, indica a presença delas na cadeia de Vila Rica. Aparecem, contudo, em quantidade reduzida.


A LONGA AGONIA DE UM PRESO

A incrível história de um condenado salvo da morte para tornar-se carrasco.

A rara foto ao lado é de 1884 e remete a uma das poucas fotos antes do período imperial em que se pode identificar um interno da Casa de Câmara e Cadeia de Ouro Preto. Não era, contudo, um simples encarcerado, mas um conhecido carrasco da província, Fortunato José, que chegou à cadeia de Ouro Preto em 1833.  Mesmo em uma década em que aparentemente os juristas se dedicaram a debater sobre a possibilidade de uma reforma prisional, a foto de Fortunato traz ainda reflexos das cadeias do Antigo Regime, com uma nítida aura de suplício em meio ao cárcere.