quinta, 07 de julho de 2022
Desordem & Caos
Autoria
Camila Similhana
Curadoria
Raul Lanari
Exposição virtual executada com base em tese defendida junto ao Programa de Pós-Graduação em História da UFMG em dezembro de 2018.

Descrito pelos jornais do período como “velho, negro e infeliz”, faleceu poucos anos depois do registro fotográfico acima após uma vida devotada a 87 execuções judiciárias. Natural da cidade hoje denominada Lavras, era escravo de João de Paiva e dona Custódia. Esta última ficou viúva e acabou morta em 1833. Conta-se que na época era ele um jovem entregue ao jogo, à embriaguez e a outros vícios, sendo então Fortunato, aos 25 anos, acusado pela morte da senhora. Foi então, preso, julgado e condenado à pena de morte. Após um acordo, contudo, não foi executado e a pena foi transformada em prisão perpétua, tendo Fortunato se convertido em carrasco de outros condenados à forca. O próprio algoz frequentemente se descrevia como “empregado público” em meio ao ofício de executor da justiça.

Fortunado relatou ter executado condenados até 1874, quando as penas de morte cessaram no Brasil, tendo sido as primeiras que ele realizou em Ouro Preto.
A primeira execução foi feita ainda no ano de 1833, quando Fortunato foi preso, no dia de Natal. As vítimas eram dois escravos. Declarava Fortunato que as primeiras execuções lhe repugnaram. Repugnância ainda maior sentia quando precisava enforcar mulheres. Quanto aos homens, Fortunato dizia ter ficado habituado e cumpria a obrigação insensivelmente.”

“Nos primeiros tempos do ofício, Fortunato dormia em comum com os demais presos, inclusive aqueles que tinha em breve enforcar. Mas, estando na cadeia de Pitangui, um desses sentenciados à morte deu-lhe, durante o sono, profundas navalhadas no ventre, nas costas e nas mãos, das quais apresentava fortes cicatrizes. Desde então, ficou sempre separado dos presos condenados à pena última.

Alto, musculoso e ainda forte, em 1877, apesar dos seus 69 anos, dos quais 44 de prisão, queixava-se apenas de sofrer reumatismo, acrescentando pacatamente que ‘se obtivesse a liberdade, iria viver sossegado em algum canto…’ Exerceu o algoz Fortunato seu horroroso ofício em 29 localidades de Minas Gerais e duas na província do Rio de Janeiro.” (VEIGA, 1897, p.114-116)

REFERÊNCIA

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Vocabulário carcerário colonial


ALJUBE DE MARIANA: A PRISÃO PARA CLÉRIGOS QUE JAMAIS SE CONCRETIZOU

A Casa Capitular de Mariana foi construída por iniciativa dos Cônegos da Sé. A construção foi decidida em 1765, finalizada em 1793, após ser movida uma ação contra o construtor que havia prometido entrega-la muito antes.

O imóvel frequentemente é definido de forma indevida como "Aljube", ou seja, a prisão dos clérigos por motivos disciplinares, mas não chegou a sê-lo, tendo ficado apenas na intenção de uma petição solicitada pelo primeiro Bispo de Mariana ao rei D. João V.

O destino original, portanto, esteve voltado desde sempre para a sede do Cabido Diocesano. Desde 1962 passou a constituir o Museu Arquidiocesano de Arte Sacra, com acervo voltado às peças mais importantes que se encontravam nas igrejas, no Seminário e no palácio Arquiepiscopal.