terça, 25 de janeiro de 2022
Desordem & Caos
Autoria
Camila Similhana
Curadoria
Raul Lanari
Exposição virtual executada com base em tese defendida junto ao Programa de Pós-Graduação em História da UFMG em dezembro de 2018.

CADEIA DE SABARÁ  É DENUNCIADA POR DESUMANIDADE EXTREMA

A antiga cadeia de Sabará era uma casa de câmara e cadeia de origem colonial, mas que foi demolida no fim do século XIX. O novo imóvel seguinte foi edificado em 1892 com as características básicas do anterior e funcionou até 1924 no mesmo local na Rua da República.

A situação do prédio da cadeia de Sabará antes da demolição era alarmante de tal forma que o delegado local relatou ter representado ao

Ilustre Governador pedindo a demolição da Cadêa que em ruinas promete perigar a vida dos 37 Presos e a guarda que os vigia, pede-nos o 37omuniqu recolhimento dos mesmos 37omunique Prezos para essa Capital, visto ser tão urgente o que os Ilustres representantes do Município reclamão. (…)

Sabará, 7 de Março de 1890. Anton (Arquivo Público Mineiro, Fundo da Chefia de Polícia, POL 12, cx 01, pc 03)

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Cadeia de Sabará

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Maria Pereira da Cruz

LOUCA ENCARCERADA IMPEDE REALIZAÇÃO DO JÚRI

A péssima estrutura do edifício que acolhia delegacia, cadeia e salão de júri somada à mistura de doentes mentalmente sãos com indivíduos acometidos por patologias psíquicas, demonstra o quão amplo poderia se tornar o problema, conforme é descrito em uma correspondência assinada pelo promotor de justiça Flávio Fernandes dos Santos e endereçada ao chefe de polícia:

Achando-se recolhida á cadeia desta cidade a louca furiosa de nome Maria Pereira da Cruz que com uma vozeria infernal tem sido um entrave ao sossego dos presos e das familias visinhas e tem até perturbado o funcionamento das sessões do Jury, espero que levando a vosso conhecimento tal facto, dareis as providencias necessarias afim de ser ella removida para estaelecimento proprio.

(Arquivo Público Mineiro, Fundo da Chefia de Polícia, POL Série 12, cx 04, PC 04, outubro/1893)


IMUNDÍCIE E DOENÇAS NA CADEIA SABARENSE

A falta de higiene dos espaços prisionais também colaborava para que pequenos ferimentos se convertessem em diagnósticos mais complexos, como informa o delegado de Sabará, Joaquim Lacerda, ao descrever que

“o preso Adriano Francisco Simão está sofrendo de um grande abcesso na região lombar precisando para tratar-se recolher-se a um hospital pois as cadeias d’esta cidade não oferece condições hygienicas precisas para o seu tratamento.”

(Arquivo Público Mineiro, Fundo da Chefia de Polícia, POL 12, Cx 18, Pc 08, jan./1901)

A preocupação com o alastramento de moléstias nas prisões também servia a questões menos nobres, como a dissimulação de doenças por parte dos encarcerados para a articulação de fugas. Exemplo disso se deu em Sabará, quando em 1904 a Santa Casa de Misericórdia se defendeu de possíveis ações para beneficiar a entrada de presos que supostamente se faziam de doentes para fugirem da detenção.

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Cadeia de Sabará

CRIANÇA É DETIDA POR FURTO EM SABARÁ

“Francisco Pedro Liberato, 16 anos de idade, filho de Sabará, foi recolhido à cadeia por [suposto] crime de furto praticado em casa de Francisco Romano na Avenida do Comércio no dia 7 de Abril de 1906.”

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Detido