Fazendo uma apresentação física da Lapinha, ela se formou em uma região cuja litologia predominante é o quartzito, em que o grau de solubilidade da rocha e o tipo de intemperismo determinam sua existência e condicionam sua morfologia. A dissolução do quartzo ocorre com o processo de hidratação da sílica (SiO2) para formação do ácido silício (H2SiO4). O dióxido de carbono da matéria orgânica e húmus, aumenta ainda mais a acidez desta água e seu poder de dissolução, no entanto, rochas siliciclásticas como os quartzitos não são dissolvidos facilmente. Tendo em vista a grande estabilidade do quartzito, a compreensão mais completa de como ele é dissolvido depende de uma análise integrada do aspecto hídrico, geológico, geomorfológico e climático, que atuam em conjunto ao longo do tempo geológico, o que se pode inferir é que essa água será mais agressiva justamente nos níveis onde há maior quantidade de minerais como a mica, que são mais facilmente dissolvidas (BENTO et al., 2015).
O tectonismo, que expôs as rochas do complexo Espinhaço, atuou formando dobras, fraturas e falhamentos. São justamente nessas descontinuidades que um possível processo de carstificação pode ocorrer. A água dissolve primeiramente os minerais mais “frágeis”, formando os condutos. A topografia e o desnível do terreno aumentam a velocidade da água, potencializando seu poder erosivo, favorecendo a formação de uma rede de condutos cilíndricos ou tubulares de diferentes tamanhos. Essa ação da água, que também pode contar com a ação das raízes das plantas no alargamento dos espaços, dá forma às cavernas (TRAVASSOS, 2019)